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sábado, 21 de fevereiro de 2009

H A T S

Culpados pela verdade. Infelizmente!


O Airbag para automóveis foi lançado nos Estados Unidos em 2000 graças à reutilização de tecnologia desenvolvida pela NASA para voos espaciais. No Brasil só agora, quase dez anos depois é obrigatório nos automóveis. Dá o que pensar. Quantas pessoas morreram de acidentes automobilísticos por não usar airbag nos automóveis brasileiros? De quem é a culpa?

Quero chamar a sua atenção para dois quesitos básicos sobre a situação do Hospital Antônio Teixeira Sobrinho.
No primeiro quesito, réu confesso, admito que a culpa seja da atual administração. Por não ter, como todos, indistintamente na sociedade jacobinense, acobertado o desastre que ali se acumulava a cada dia.
Por ter a coragem de deixar cair a máscara da hipocrisia e mostrado à população as reais condições em que se encontrava aquela casa de saúde.
Realmente, a prefeita Valdice Castro pode se confessar muito culpada por ter a coragem de dizer à Bahia que não tem as mínimas condições de arcar com as consequências, sozinha, de um desastre que já dura quase 30 anos. É assim que vejo e sinto a situação.
O clamor popular é legítimo? É óbvio que é! Mas este também não é um clamor originado diretamente das massas, do povo, da comuna de um modo em geral. Se você observar atentamente, é um clamor induzido, produzido em parte, ligado diretamente a interesses escusos, políticos e, sobretudo pessoais.
No atual contexto, basta ouvir por cinco minutos qualquer programa jornalístico nas rádios locais e a palavra de ordem é uma só: HATS.
Simples: a comunicação em determinado momento se vale da moeda que se tem em mãos. E quando a comunicação é usada com fins políticos e pessoais, aí então! A fórmula é unica desde os tempos de Maquiavel: basta se dar ao povo aquilo que ele quer ouvir.
Faça um comparativo. Qual o programa líder de audiência na Bahia, em nível de televisão? O carro chefe da TV-Itapoan, o Programa “Se Liga Bocão”. É estratégico, já que, sem ter onde se expressar e onde desaguar suas mágoas, a sociedade busca quem lhe der ouvidos e nada melhor que a televisão.
Desavisada, ela não percebe que é massa de manobra para negociatas, por conta da audiência alcançada em nível estadual, nos bastidores da TV.
O mesmo se dá nas rádios do interior. Abrem-se os microfones da emissora, o povo que sente necessidade extrema de ser ouvido, reclama. Não sabe ele que está sendo objeto de enriquecimento de pequenos grupos, de indivíduos, de demagogos e déspotas armados com um microfone ou uma câmara de TV.
Notadamente, ao lançar o programa ano passado, a TV Itapoan cobrava por veiculação de comercial de trinta segundos, R$ 1.300 por unidade. Hoje custa a bagatela de R$ R$ 3.800 a mesma inserção. Óbvio a audiência foi lá para cima, o público vê o programa e a emissora futura.
Lembro-me bem que a cerca de dois anos atrás, anunciar em um dos programas mais ouvidos das rádios jacobinense, não custava mais que R$ 100. Hoje no mesmo programa, a mesma inserção comercial não fica por menos de R$ 550.
É a audiência, é o público ouvinte contribuindo para que a arrecadação da emissora cresça cada vez mais.
Não sabe o cidadão que quando liga para a emissora acaba por lhe dar autorização para negociar aquela sua ligação com empresários e o poder público. Não sabe ele que em muitos casos, ao tratar com o poder público local, o caso vira extorsão.
Recentemente soube-se de uma reunião interna em uma rádio local onde o dirigente máximo autorizou um repórter a “cavar” todas as mazelas existentes no município (coisas preferencialmente antigas) e fustigar a atual prefeita. E ele vem desempenhando muito bem o seu papel. Revelações de quem vive o dia-a-dia dentro da própria emissora.
Volto a perguntar: para que? Chantagear a atual administração e obriga-la a ceder contratos milionários de publicidades. Uma fatia de R$ 12 mil/mês. É justo?
Quantos médicos e enfermeiros podem ser pagos com este dinheiro para trabalhar exatamente um mês no HATS?
Mas isso os convence? De jeito nenhum! O que interessa para essa gente é a entrada de dinheiro nas suas contas. Até porque nenhum destes diretores reside por aqui. Então pouco importa.
Volto à questão do HATS. Quanto grita-grita. Quanto barulho. Quanta gente se dizendo perplexo com a atitude do novo governo. Incrível que, embalados pelos apelos “sociais e humanos” de determinados veículos de comunicação, ninguém está percebendo a manobra.
Mais incrível ainda é que de 100% das pessoas que ligam para a “Rádio” e oferecem “sóbrias denúncias” sobre o problema, 70% são de pessoas ligadas direta ou indiretamente com a questão política local.
Pare e observe. O povo mesmo, raro são as exceções, entendem os fatos. E é neste sentido que escrevo. Não seja massa de manobra e muito menos instrumento para acobertar, disfarçar a chantagem.
Não se deixe usar para dar audiência a rádios que violando o princípio jornalístico de sempre ouvir o outro lado, fazem do microfone trampolim para a chantagem pura e expressa.
Com ralação ao segundo quesito, quero apenas deixar no ar uma pergunta: você pode afirmar, com certeza absoluta que o atual governo municipal é culpado, como dizem, por ter falado a verdade? Por ter aberto o jogo sujo e escancarado a imundície que estava em baixo do tapete.
Você considera que a administração Valdice Castro deveria ter, ao contrário do que fizeram, jogado mais lixo para debaixo do tapete do HATS? Pense nisso!
Noutro ponto, sou testemunha áudio visual e assinei, como testemunha a documentação, quando o ex-prefeito recebeu da Justiça a incumbência de cuidar do HATS. E o que ele fez? Não quis arcar com as consequências que, hoje, a administração arca e jogou a sujeira para baixo do tapete.
Talvez esse tenha sido o seu maior erro e a história vai registrar. Enganou milhares; maquiou, pintou, mas não mudou nada na essência. Você que está ai lendo este artigo, sabe do que estou falando. E óbvio, concorda comigo. O maior erro, e olhe que sou um crítico feroz do ex-prefeito, foi na verdade, encobrir os fatos. Não dizer à população que não tinha condições humanas e financeiras de arcar com as consequências da reforma e da melhoria das condições do HATS.
Outro erro grosseiro foi não apontar os verdadeiros culpados. Coisa que, pelo caminho que essa administração toma, também não o fará, já que não é de sua alçada. Quem ouviu um relato do testamento do benemérito Antônio Teixeira Sobrinho, em uma rádio local, por mais ignorante sobre o assunto que possa ser, haverá de entender que há culpados listados ao longo do tempo.
Outro culpado e talvez um dos maiores, pela situação do HATS é o próprio Ministério Público que foi omisso no cumprimento do seu dever constitucional de zelar pelo cumprimento da Lei e especialmente pelo funcionamento das Fundações já que assim dispõe o Código Civil Brasileiro. Por que nunca agiu?
Hoje, quando a bomba estoura, peço vénia para admitir: essa administração que ai está, realmente é a grande culpada neste caso.
Deve ser julgada e condenada se assim for considerada pelo povo, por uma única e concreta razão: TER ABERTO O JOGO, TER VARRIDO A SUJEIRA ACUMULADA POR ANOS A FIO, E POR TER CHAMADO A POPULAÇÃO PARA CONTAR A VERDADE HISTÓRICA SOBRE O HATS.
Condene-a se assim sua consciência mandar. Caso contrário, não sirva de massa de manobra aumentando o índice de audiência de rádios e televisão que só estão preocupadas em aumentar a arrecadação. É tudo uma questão de observar: não fazem diferença entre a mera reportagem e o discurso político/eleitoral/demagógico/mentiroso.