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sábado, 4 de abril de 2009

A propósito...

Para uns, cultura é Trio Elétrico com mulher pelada em cima




O evento estava programado para as 19h30min, desta sexta-feira, 03. Começou com 40 minutos de atraso por conta que o principal organizador e mentor do encontro chegou atrasado. Gilvan da Caixa d’Água.
Mesmo assim, a noite foi memorável, com Badu e seus meninos fazendo um show e tanto. Pena que nunca serão vistos por quem deveria ver.
Os homenageados, dispensam-se maiores comentários. O Bloco os Cão, cantado em verso e prosa mundo afora, por 60 anos consecutivos, sobreviverão a muito mais. Na verdade, quando se trata da cultura popular, o Brasil finge não ver, não conhecer, não entender.
Quem quer um grupo antigo como a Marujada, Os Cão, jacobinenses, desfilando em Salvador, Brasília, Estados Unidos e por aí vai?
Fecha Beco? Está ali em um abrigo, esquecido. Você sabe quem é Fecha Beco? Duvido! Mas afinal, isso importa mesmo? Para quem? Talvez para uns poucos abnegados que ainda insistem em relembrar fatos e personagens pitorescos da nossa história.
É a mesma coisa em todos os lugares. A antiga Rua dos Ourives, (hoje é Nossa Senhora da Conceição) histórica como é, cheia de magia e com tantas lembranças, está acabando. Os casarios antigos, na sua grande maioria, estão dando lugar a prédios de apartamentos.
É um problema local? Não! Na capital baiana a coisa não é diferente. Até parece que o brasileiro e em especial o baiano não gosta ou não quer preservar a sua história.
Talvez a culpa seja dessa gente mesmo.
Como grande homenageado da noite de sexta-feira, apenas três representantes do grupo compareceram ao encontro. Outros três que chegaram meio bêbados e acabaram saindo logo. É assim que a banda toca.
O poeta e cordelista, João Bosco Fernandes, peço vênia ao médico Carlos Santana, para fazer minhas suas palavras que expressam o pensamento comum “Ele é um sociólogo, aborda toda a realidade da Bahia, fiquei encantado, com mais este livro, já que sou um apaixonado por Cordel. Ele está de parabéns pela iniciativa”.
Por cerca de uma hora, fiquei lá no Centro Cultural admirando Badu e tecendo minhas conjecturas: Imagine se Badu tivesse o mesmo aparato e patrocínio de um mequetrefe chamado Zeca Paqodinho? Cheguei a comentar com o líder Almacks Luiz que estava presente ao encontro.
Alias como cultura popular não significa nada pra muita gente, não passou despercebida a ausência “sentida” do Coordenador de Cultura Arilson Teixeira. Mas tudo bem, estava lá gente boa: Minita Montenegro, Badu, Carlos Santana, Glériston Macedo, Silvanor, Guará, Peu Fagundes e esposa e dezenas de pessoas.
O esquecido Fecha Beco foi homenageado e seu filho Canuto, recebeu uma plaquinha de R$ 12,00. Quero aproveitar a deixa para criticar essa plaquinha. Só isso? Pois é! O idealizador do Bloco os Cão só merece isso? Não. Claro que merece muito mais! Mas como dar muito mais a Fecha Beco se nem eu mesmo colaborei? Não se explica!
Foi mais ou menos assim que rolou a noite de cultura no Centro Cultural Edmundo Isidoro dos Santos, nesta sexta-feira, 03 de abril.
Por último fica uma lembrança da tragicomédia que sempre foi a cultura jacobinense com cada um, indo pro seu lado e a lugar algum.
E enquanto isso, já que não se unem, aqueles que acreditam que fazer cultura é colocar trio elétrico com mulher pelada em cima é cultura, dão as cartas.
Era o costume de nestes momentos se aproveitarem para tirar uma “lasquinha” de cachê, extra, etc, por baixo dos panos (vem direto dos artistas e em espécie) e estão por aí, querendo voltar. Quando nada acham que voltam. E a cultura popular ó...! Ontem e hoje!